Archive for the Cultura Category

Lemuria

Posted in Cultura, Divagando, Filosofando, Literatura, Poesias on julho 25, 2012 by sinistrum

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No oceano, profundamente abaixo
Sob as bravas ondas, envolvidas nas memórias você encontrará.
Navios destruídos, todos foram desencaminhados.
Capitão, você encontrou
A terra de Mu, o Eldorado para os marinheiros?
Ou você afundou-se nos sonhos
E perdeu seus navios na sinfonia das sereias?

Quando o marinheiro velejar para longe
Ele mostrará que o sonho de Lemuria é real
Uma terra perdida que ele encontrará novamente
Ouça o chamado da canção das anemonas nas profundezas
Você ousa entrar no navio?
Ouça o chamado de baixo,de um mundo subaquático
A terra de Mu é perto das estrelas
E nos braços do mar você viverá hipnotizado.

Chamado de Narayana,o sete-cabeças adormecido
Em Lemuria,levante-se!
Therion-Lemuria

Luna

Posted in Cultura, Divagando, Poesias on junho 15, 2012 by sinistrum

IImagemIn tempi di oscurita, ecco mi sembra qualcosa che ilumina la strada buia

L’unica luce che riflete i miei pensieri, un momento di estasi profonda, oltre a me, il mio corpo e la mia anima.

Il vero volto della bellezza, quella che mostra come siamo veramente.

Nel buio ci fa vedere chi siamo veramente sentire e tenere.

Potrebbe essere questa la fonte principale di tutta la mia poesia, le forze di modo che io possa avere dei sentimenti?

Oh luna, tu sei così bella, che mi conforta, mi calma e mi fa sapere che io non sono sola! Buona notte! …

By: Lord Kürten

Dark Shadows

Posted in Cultura, Divagando on junho 12, 2012 by sinistrum

Nova produçao de Tim Burton, não poderia faltar o nosso ilustríssimo Johnny Depp. Para a alegria de todos esta maravilhosa produçao terá estréia no fim deste mês…Aguardem

Sonhos, um anúncio!

Posted in Cultura, Divagando, Poesias on maio 28, 2012 by sinistrum

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Hoje acordei assustado, com calafrios, senti na espinha algo intenso.

Despertei com o impacto de um sonho no qual me perdi,

nao entendi bem, mas senti como se eu estivesse incompleto.

Um pedaço da minha alma se partindo e deixando-se levar por trevas ao além…

A morte, que mata o gato, o rato e o homem, me fez sentir como um ser sem alma, alguém que perdeu tudo.

Senti que ela me abriu os olhos no momento em que eu me deparei com ela em meu sonho.

Mas como irei deixar de vê-la. Se todos os dias em que acordo, levanto assustado por ter me encontrado com ela em suas diversas formas…?

Tenho medo de ser um anuncio de sua chegada, e por assim for, receio que meu futuro nao será muito longo, popricio a novos momentos e alusões junto a meus amigos…

Estes, sofro mais, por ver que mesmo que minha passagem seja rápida, irão ter que passar por um momento de dor. O bom é que é breve, e logo esquecerão….

Oh morte, por que me atormentas assim? Quais tuas intensões em passar-me tuas mantas em meus sonhos… Eis a pergunta. Eis a dúvida. Eis o meu fim?…

 

By: Lord Kürten

Anima

Posted in Cultura, Literatura, Poesias on fevereiro 12, 2011 by sinistrum
A mulher que sou não se pode ver no espelho,
Meus seios são tão pequenos e minha voz é tão grave.
A mulher que sou é incapaz (ela não pode) de se apaixonar.
Eu gostaria de cortar as minhas genitálias e alimentar os cães com elas.
A mulher que sou é preparada para sentir dor.
As agulhas devem cortar apenas os restos feios.
Eliminação é impossível, devo deixar isso,
o meu eu é feminino, como eu sempre pude duvidar..

+++ Sopor Aeternus — Composição de Anna-Varney +++

A literatura fantástica de Howard Phillips Lovecraft

Posted in Cultura, Literatura on janeiro 23, 2011 by sinistrum

A emoção mais forte e antiga do homem é o medo, e a forma mais forte e antiga de medo é o medo do desconhecido…”

H. P. Lovecraft

Providence é a capital e também a maior cidade do Estado norte-americano de Rhode Island, na Nova Inglaterra. Foi fundada em 1636 por Roger Williams, um teólogo batista inglês que se destacou pela sua tolerância religiosa, defesa na separação entre Igreja e Estado e nas relações justas com os nativos americanos. Em 1644 Roger recebeu uma carta real consentindo a criação da colônia de Rhode Island e da cidade de Providence a fim de acolher as minorias religiosas. É creditado a ele a fundação da Primeira Igreja Batista da América.

Inicialmente Providence possuía uma economia de subsistência tipicamente agrária que mal dava para manter sua população. As casas eram rústicas em tamanho e detalhes. Foi somente no século XVII que a cidade iniciou suas atividades de navegação mudando o panorama econômico consideravelmente; mas foi em fins de século XVIII e início de XIX, que Providence encontrou seu apogeu econômico com os primeiros comerciantes que passaram a estabelecer relações comerciais com a China. Somou-se também à economia da cidade a mecanização de têxteis, patrocinada por recursos próprios, e que alavancou ainda mais o seu desenvolvimento ganhando, inclusive, seus primeiros patrimônios públicos como escolas, igrejas e a famosa Universidade de Brown, antigo College of Rhode Island, fundado em 1764 e posteriormente deslocando sua localização para College Hill no ano de 1770, onde recebeu o nome que perdura até hoje. Por essa instituição passaram nomes como John Fritzgerald Kennedy Júnior, que ingressou em suas dependências em 1978 a 1983.

Cidade de ricas tradições históricas que vão das antigas casas coloniais conhecidas como clapboards (casas construídas em madeira) às modernas construções peculiares que mesclam-se aos panoramas arquitetônicos de outrora. Foi nesse cenário denso de riquíssima memória cultural que Winfield Scott Lovecraft, um negociante de joias e outros metais preciosos, e Sarah Susan Phillips, doméstica e professora de piano que descende de uma notória raiz colonial, tiveram seu único filho: Howard Phillips Lovecraft.

Providence nos dias atuais

Nascido a 20 de agosto de 1890, Lovecraft era um menino prodígio que aos dois anos já recitava poesias e aos seis escrevia poemas de autoria própria. Aos onze anos publicava e entregava de porta em porta jornais científicos intitulados The Scientific Gazette e The Rhode Island Journal of Astronomy. Sempre teve um espírito inclinado para filosofia e ciência. Escreveu muita coisa durante sua juventude, porém, não aproveitou quase nada. Aos quinze anos escreveu seu primeiro conto, The Little Glass Bottle. Teve sua potencial capacidade frustrada quando lhe disseram ao fim da adolescência não ter talento algum, ficando alguns anos sem escrever e retornando mais tarde com a publicação de The Transition of Juan Romero, na revista Weird Tales, uma pulp-magazine muito em voga na época onde Lovecraft mais publicou. Teve uma vida simples do ponto de vista econômico e pessoal, morou sua vida praticamente toda com a mãe e duas tias muito queridas. Lovecraft era acometido de uma estranha e rara doença chamada poiquilotermia, que se caracteriza pela pele sempre álgida ao toque. Sua saúde precária e as crises nervosas nunca o permitiu frequentar a escola por longos períodos, fazendo isso apenas de forma esporádica; contudo, era menino muito dado a leitura. Seu avô, Whipple Van Buren Phillips, percebendo a atração do neto pelas letras, sempre o incentivou à leitura presenteando-lhe com versões infantis da Iliáda e da Odisseia de Homero e o iniciou na literatura de terror gótico.

Roger Williams, fundador do Estado de Rhode Island e da cidade de Providence

As intempéries também vieram cedo demais para o jovem menino. Quando contava com apenas três anos, seu pai teve uma crise nervosa que o deixou com profundas sequelas e o levou pelo resto de sua vida para dentro de clínicas de repouso. Foi a partir daí que o jovem Lovecraft passou a ser criado apenas pela mãe, as tias e o avô; este, veio a falecer em 1904, e com a incapacidade das filhas em gerenciar os bens deixado pelo pai a família entrou em estado de pobreza mudando-se para uma casa menor. Em 1908 Lovecraft também foi acometido de um colapso nervoso que o impossibilitou de receber seu certificado de conclusão do Ensino Médio, distanciando-o do ingresso em uma universidade. Esse fato, considerado como um grande fracasso em sua vida, o marcaria para sempre. Em 1921 sua mãe faleceu vítima de uma complicação cirúrgica.

Em 1917 Lovecraft tornou-se definitivamente um leitor assíduo de estórias de terror, terreno que já havia sido cultivado pelo seu avô tempos atrás, e no mesmo ano escreveu e publicou seu primeiro conto profissional, Dagon, na revista Weird Tales.

Trabalhou como jornalista por um tempo quando conheceu Sonia Greene, uma judia natural da Ucrânia e oito anos mais velha com quem viria casar-se, fato esse um tanto estranho para um homem que possuía certa “xenofobia” por tudo que não tivesse descendência anglo-saxônica. A relação rendeu protestos por parte das tias, mas sua consumação foi inevitável. Morou por curtos dois anos com sua esposa em Nova Iorque, no bairro do Brooklyn, lugar que ele nunca se adaptou. O casamento também não duraria muito e após cinco anos e uma separação amistosa, Lovecraft retorna para Providence onde passa a morar novamente com as tias Lillian Clark e Annie Gamwell.

O período pós-matrimônio foi o mais prolífero e também o que marcou o começo de suas correspondências com outros escritores estreantes de terror-ficção. Entre esses correspondentes o mais ávido era Robert E. Howard, criador do personagem Conan, o bárbaro, e que viria suicidar-se tempos depois. Robert e Lovecraft tinham marcas de personalidade muito próximas, ambos nutriam as mesmas idiossincrasias: a solidão e o desejo de superação das limitações humanas. O que o primeiro conseguiu com a criação de um bárbaro poderoso e invencível, o segundo conseguiu pela criação de monstruosidades extraterrestres e cenários surreais que desafiam a imaginação dos leitores. As obras mais extensas de Lovecraft como Nas montanhas da loucura e O caso de Charles Dexter Ward datam desse período.

Por ser ateu, pode parecer um tanto estranho e incompreensivo tentar entender como alguém sem crenças em coisas fora de nossa esfera existencial poderia criar estórias de teor tão místico com apelos a crenças ancestrais. A resposta para isso pode estar nas próprias palavras de Lovecraft que se encontram em seu ensaio O horror sobrenatural na literatura: “a emoção mais forte e antiga do homem é medo, e a forma mais forte e antiga de medo é o medo do desconhecido. Poucos psicólogos contestarão esses fatos, e a sua verdade admitida deve firmar para sempre a autenticidade e dignidade das narrações fantásticas de horror como forma literária.” Como se ver, Lovecraft podia até não ser um crédulo convencional, mas utilizava crenças em coisas inexplicáveis simplesmente como substrato para suas estórias; ou seu ateísmo não era tão sistemático assim. Quando sua parca condição financeira lhe permitia, tinha como hobby viajar para descobrir vestígios sobre o mundo antigo e as histórias e lendas que o cercam, sem dúvida, importantes peças de construção para seus contos.

Lovecraft era dono de uma produção extemporânea, muito avançada para a sua época; além disso, com o amadurecimento de seu estilo, o requinte e o aumento no número de palavras de seus contos, crescia a resistência por parte das editoras. Necessitado financeiramente, atravessou o dilema que cerca praticamente todos os artistas: manter-se fiel a sua produção ficcional, ou vender-se a uma produção tosca e barata. Sem saída, passou a escrever estórias encomendadas por outros autores consagrados seguindo as ideias que eles sugeriam. Esse tipo de produção era conhecida como ghost-writing e Lovecraft teve como principal cliente Harry Houdine, mais conhecido no meio circense como o grande Houdine. No entanto, sua literatura chamou a atenção de um outro grupo de escritores adeptos de estórias de ficção, alguns deles já bastante consagrados; um grupo restrito, mas fiel e que trocavam muitas ideias por correspondência e impeliam Lovecraft a continuar escrevendo. Foi a partir desse grupo que surgiu o chamado Lovecraft Circle (Círculo Lovecraft), que falarei mais adiante.

Os mitos de Cthulhu e o Círculo Lovecraft

Lovecraft e sua ex-esposa Sonia Greene

Lovecraft escreveu cerca de 65 contos curtos e 3 de grande extensão, sendo por isso considerados romances, um deles incompleto. Suas estórias seguem um padrão que “quase sempre” se repete no enredo: começam com um narrador dando a conhecer ao leitor sobre um fato tão grotescamente terrível que sua exposição pode, inclusive, custar a sanidade até mesmo da mente mais racional. Como sendo instado pelo próprio leitor, o narrador abre mão de seu silêncio e resolve contar em detalhes persuasivos sobre o tal fato. Aqui encontramos todos os traços do verdadeiro talento de Lovecraft: sua esmerada capacidade narrativa que remete o leitor a cenários imaginários e intrigantes prendendo-o de tal forma nas tramas das letras e impelindo-o a devorar toda a leitura de forma ininterrupta. Essa capacidade natural em narrar o inenarrável fez com que Lovecraft recebesse merecidamente a alcunha de “Mestre do indizível”.

Até enfim eu também não via nada além de loucura nas histórias fantásticas de que tinha tomado parte. Mesmo agora me pergunto se estava enganado – ou se não estou mesmo louco, afinal não sei – mas outras pessoas tem coisas estanhas a dizer sobre Edward e Asenath Derby e nem mesmo a estúpida polícia sabe mais o que fazer para explicar aquela última e terrível visita. Os policiais tentaram montar uma frágil teoria envolvendo um aviso ou uma brincadeira de mau gosto por criados demitidos, embora saibam, no íntimo, que a verdade é infinitamente mais terrível e inacreditável. Eu digo, pois, que não assassinei Edward Derby, antes o vinguei, e assim expurguei da Terra um horror cuja consciência poderia ter espalhado terrores inauditos sobre toda a humanidade. Existem zonas negras de sombra próximas de nossos caminhos cotidianos e, de vez em quando, algum espírito maligno abre uma passagem entre eles. Quando isso acontece, a pessoa informada deve agir sem pesar as consequências. Trecho do conto A coisa na soleira da porta.

Universidade de Brown. Antigo College of Rhode Island e cenário de alguns contos de Lovecraft.

Nenhuma produção desse autor, porém, foi tão significativa quanto a fase em que ele criou o seu Cthulhu, uma estranha criatura híbrida metade cefalópode, metade homem e metade dragão, que tem raízes em estranhos sonhos, ou pesadelos, que Lovecraft costumava ter nas noites de sua infância; sonhos tão vívidos que o acordavam apavorado, com batimentos acelerados e grande transpiração. Esses pesadelos do autor foram até mesmo retratados em forma de quadrinhos pela Vertigo.

Em O chamado de Cthulhu (1926) Lovecraft nos apresenta uma estória elaborada envolvendo antigas ordens secretas, ritos orgíacos e um culto sombrio a estranhas criaturas ancestrais conhecidas como The Great Ones (Os grandes Antigos); monstruosos seres marinhos de origem extraterrestre que teriam vivido na Terra muito antes dela adquirir algum tipo de consciência ou do primeiro ser humano nela colocar os pés. Segundo o conto, o universo teria sido uma criação dos Grandes Antigos, inclusive o próprio homem, criado como um mero instrumento de servidão, sendo tais seres completamente indiferentes à sua criação. Esses relatos foram suficientes para que Lovecraft fosse declarado blasfemo pelos cristãos mais radicais.

Em dado momento histórico, a colossal cidade ciclópica conhecida como R’lyeh, onde reside tais criaturas, submergiu nas gigantescas águas do oceano Atlântico, mas um encantamento lançado pelo grande sacerdote Cthulhu mantem a cidade protegida com os demais Great Ones, aguardando o dia em que as estrelas se alinharão no universo despertando-os de seu sono e fazendo a grande cidade emergir novamente para que os Grandes Antigos possam governar outra vez. Até esse dia chegar, um culto foi estabelecido desde os primórdios dos tempos. Quando o primeiro homem veio, Cthulhu manteve contato com ele por sonhos e legou-lhe os ritos necessários de preparação para sua chegada. Esses contatos oníricos foram mantidos com muitos outros, século após século, milênio após milênio, garantindo que a memória dos Antigos jamais se perdesse. Despertos, os Grandes Antigos infligiriam o caos sobre a Terra, levando a humanidade a uma vivência ébria da realidade.

A estória gira em torno de H. A. Wilcox, um jovem artista plástico que após ter estranhos pesadelos com uma megalônica cidade ciclópica, esculpe na argila a horrenda figura de uma criatura híbrida que ele alega persegui-lo em seus sonhos; a essa arte insólita, ele acrescenta alguns dizeres em caracteres mortos retirados das monumentais paredes da esquisita cidade toda construída com erros de perspectiva. Wilcox faz uma visita a George Gamell Angell, emérito professor de línguas da Universidade de Brown, na expectativa de descobrir alguma coisa sobre a estranha arte que ele concretizara na argila, e fica surpreso com o interesse repentino do professor ao ouvir as inauditas palavras Cthulhu. Com a morte do professor Angell em circunstâncias suspeitas, seus pertences ficam sob a guarda de seu sobrinho-neto que faz uma descoberta perturbadora dentro de um baú contendo uma vasta coleção de artigos de jornais e um manuscrito intitulado CULTO DE CTHULHU. A ambição que é gerada em seu ser, superando até mesmo seu racionalismo metódico, leva-o a uma intrincada investigação que ganha desdobramentos instigantes e um final surpreendente.

Para o leitor atento e conhecedor do mínimo sobre a biografia de Lovecraft, perceberá em Wilcox e seus sonhos, o reflexo claro do autor. De fato, era mesmo Lovecraft que tinha todos esses sonhos, como já mencionado, e os condensou em suas estórias de ficção o que dá a elas uma nota subconsciente e simbólica.

Cemitério de Swan Point em Providence

Cthulhu surge ainda em outros contos, sendo mencionado de forma indireta por meio de referências como inscrições e desenhos rupestres como Nas montanhas da loucura de 1931. O próprio Dagon, que não é uma criação de Lovecraft, sendo uma divindade do panteão filisteu, foi identificado pelo autor como sendo esse ser pertencente aos Grandes Antigos. É importante dizer que a semelhança dada a esses seres com divindades fez com que August Derleth, um dos poucos escritores admiradores de Lovecraft, identificasse nesse conjunto específico da obra do autor a analogia de um panteão de seres designando-o de Mythos of Cthulhu (Mitos de Cthulhu). Derleth, junto com outros escritores fans das obras de Lovecraft como Clark Ashton Smith, Robert E. Howard, Frank Belknap e Robert Bloch, incluindo o próprio Lovecraft, passaram a se corresponder em trocas de ideias muito prolíferas a fim de dar continuidade a esses mitos por meio de contos escritos por todos os autores, estava formado o Círculo Lovecraft.

Túmulo de Lovecraft com a lápide definitiva em homenagem ao autor

A saúde precária, no entanto, veio a golpear esse talentoso autor definitivamente. Em 1937 as dores sempre crescentes originárias de um câncer no intestino, levou Lovecraft a se internar no Hospital Memorial Jane Brown no dia 10 de março daquele ano, vindo a falecer cinco dias depois, prematuramente, aos 46 anos. Em vida, Lovecraft nunca viu seus contos publicados em um livro de capa dura, verdadeiro troféu de reconhecimento para qualquer escritor naquela época. Morreu acreditando ser ele um completo fracasso.

Em 1940, após sua morte (isso nunca muda!) August Derleth e Donald Wandrei, fundaram a editora Arkhan, nome inspirado em uma cidade universitária fictícia criada por Lovecraft, e iniciaram as primeiras publicações em livro de bolso dos contos do autor. O filão descoberto mostrou ser muito promissor e até hoje essa editora é responsável pela publicação de antologias desse escritor.

Howard Phillips Lovecraft foi enterrado no dia 18 de março de 1937, no cemitério Swan Point, em Providence, no jazigo da família Phillips. Seu túmulo é o mais visitado do local, mas passaram-se décadas sem que ele fosse demarcado de forma exclusiva. No centenário de seu nascimento, fãs norte-americanos cotizaram-se para inaugurar uma lápide definitiva, que exibe a frase “Eu sou Providence”, extraída de uma de suas cartas.

A importância de Lovecraft no cenário atual

O escritor Colin Wilson, em seu ensaio sobre Lovecraft no livro de biografias Science Fiction Writers, afirma que a importância dos escritos desse autor está mais em sua carga simbólica do que nas obras em si mesmas. É notório, no entanto, a vasta influência de Lovevecraft entre escritores contemporâneos afamados como o argentino Jorge Luís Borges, que inclusive dedicou uma obra a ele intitulada There are More Things; trata-se de uma estória de terror onde se observa claros elementos lovecraftianos. Outro escritor influenciado por Lovecraft é o italiano Ítalo Calvino, com suas descrições das cidades imaginárias visitadas por Marcos Polo. E não podemos esquecer do mestre do terror contemporâneo Stephen King, que se declarou um seguidor de Lovecraft e cuja inclinação para o fantástico é visivelmente verificada em obras como A tempestade do século; A espera de um milagre e tantas outras.

O chamado de Cthulhu de 1920

Dagon de 2001, o filme possui uma ótima produção apesar de apenas espelhar-se no conto de mesmo título

O cinema de vez em quando faz alguma adaptação das estórias de Lovecraft. Em 1920 foi feita uma excelente produção toda baseada fielmente no conto O chamado de Cthulhu. Está tudo lá: Wilcox e seus pesadelos, a obsessão de George Gamell Angell pelo Culto a Cthulhu que fora transmitida posteriormente para seu sobrinho-neto e todos os desdobramentos da obra que culminam com o reaparecimento do pesadelo vivo emergido com a antes submergida R’lyeh; além de atores de uma interpretação impecável se considerarmos que o filme é uma produção muda toda executada nos moldes do Cinema Expressionista Alemão. Nas décadas de 50 e 60 o filme Reanimator foi adaptado dos contos “The Strange Case of Charles Dexter Ward” e “Herbert West e foi feita uma produção intitulada “At the Mouth of Madness”. Em 2001 o filme Dagon foi baseado no conto de título homônimo (e apenas isso, já que a produção não possui relação alguma com o conto em si). Em 2005 uma outra produção ganha as telas também inspirada em O chamado de Cthulhu e sendo intitulada simplesmente Cthulhu.

A música também absorveu a genialidade de Lovecraft. O segundo álbum do Metallica, High The Lightning, é encerrado com uma faixa instrumental intitulada The Call of Cthulhu. A dupla que compõe temas instrumentais de dark ambiental obscuro, Nox Arcana, gravou um trabalho conceitual intitulado Necronomicon, todo embasado nas obras de Lovecraft.

É inegável o legado deixado por esse contista, poeta e ensaísta para as gerações que lhe sucederam. Essa sim, é a verdadeira importância de Lovecraft para a cultura mundial. Se ao menos uma centelha de energia mental produzida pela empolgação de seus leitores ao ler sua obra varasse “alguma coisa” no tempo e espaço e chegasse até ele, onde quer que esteja, isso seria suficiente para erradicar sua falsa impressão de um suposto fracasso pessoal, pois, o verdadeiro talento é eterno.


Cultura e Subcultura

Posted in Cultura on outubro 18, 2010 by sinistrum

“As subculturas são culturas de grupos no interior de uma sociedade maior”
Sheth, Mittal & Newman

É bem provável que os argumentos deste texto, em parte ou no seu todo, você já tenha lido em algum outro blog ou site dentro da grande rede, mas, como afirma a neuro-linguística: “é pela repetição que se aprende”. Por isso, é sempre bom (re)ler um pouco mais sobre os temas que nos são afins. Além disso, um conteúdo, por mais abordagens que tenha ganho, em maior ou menor escala, dificilmente chega ao esgotamento total de sua análise e quando falamos de subcultura gótica nenhuma exceção é feita, pois a mesma, intrincada em denso e complexo contexto histórico possui extensa possibilidade de análise. Como se diz no popular: “há muito pano pra manga dentro dessa temática”. Por isso, repetiremos o que for preciso repetir e, dentro do possível, acrescentaremos o que pode ser acrescentado.
Iniciaremos nossa peregrinação pelo abrangente universo do gótico fazendo uma breve abordagem sobre o que é subcultura, pois entendemos que todo tema cujas raízes estão fincadas na história social de um grupo, só pode ser compreendido em sua própria base histórica. Passaremos pelo punk, flertando com algumas características históricas dessa subcultura, para daí, entrarmos na subcultura gótica e entender o que se convencionou a charmar “gótico”. No entanto, antes de definir subcultura, é necessário primeiro entender o que é cultura.
Entende-se por cultura toda e qualquer produção humana que cria vínculos entre a pessoa e o meio que a cerca, bem como as demais pessoas. O homem é o único ser capaz de pensar, organizar suas ideias, expressá-las e projetá-las para as gerações futuras.

A cultura teve origem na necessidade de sobrevivência do ser humano que o impeliu a transformar o próprio meio que o rodeia.

Ela é, portanto, produto do trabalho do ser humano e este, por sua vez, torna-se produto de sua própria cultura. Disso podemos afirmar que o homem é produto e produtor de cultura e que não há pessoa que não tenha uma cultura. A cultura pode ser material quando expressada em objetos, utensílios, obras de arte, a forma como as casas ou prédios são construídos em determinada sociedade, meios de transporte, e assim por diante; ou pode ser imaterial quando expressa conhecimentos, sistema de valores, crenças, gestos, símbolos etc. Além  disso, devido a diversidade de elementos que constituem uma cultura em um espaço organizacional, movida pelos diferentes tipos sociais, não há uma só pessoa que possa ter acesso a todas as manifestações culturais desse espaço. Isso levou alguns sociólogos a questionar o absurdo de se acreditar que um espaço social é composto por uma cultura homogênea que o unificaria, mas, pelo contrário, seria ele composto por uma diversidade de subculturas próprias que marcaria esse meio social como um espaço pluricultural. Só para citar alguns: Carroll & Harrison e Hofstede trilharam esse caminho quando afirmaram que uma organização pode até possuir uma cultura que a distingue de outras, mas disso não se poderia pressupor uma homogeneização cultural absoluta. Hawkins e Denison afirmaram que considerar a cultura de uma organização uma identidade única e unitária, constitui um mito. Como exemplo do que foi afirmado acima, podemos citar, entre outros, a grande São Paulo, uma megalópode que hoje possui uma plêiade cultural tão sincrética, composta por gringos, descendentes italianos, japoneses, que torna-se difícil estabelecer um padrão cultural homogênico. E todos esses segmentos étnicos, também constituem uma subculturalidade.

Agora, o que é uma subcultura?

Pode-se definir subcultura como um sistema de elementos culturais específicos voltados para determinado grupo particular dentro de uma sociedade.

É um segmento da sociedade que se difere do padrão social maior e, mesmo assim, participam da cultura dominante embora mantendo distinções próprias.

Os segmentos étnicos citados acima servem como exemplo de subcultura por constituírem uma herança étnica; assim como a cultura nordestina, que por ser profundamente marcada por traços de religiosidade, possui uma visão de mundo guiada por esses traços culturais-religiosos, ou os peões boiadeiros nos pampas gaúchos; em fim, todas essas manifestações culturais com suas particularidades muito próprias e mesmo assim inseridas no contexto global da sociedade, constituem, numa abordagem mais geral, subculturas. A subcultura urbana é um outro fenômeno a ser ressaltado. Seguindo o mesmo princípio do conceito anterior, esse tipo de subcultura é marcado pelos espaços delimitados dentro de uma zona urbana. Cada grupo possui características e rituais específicos que os diferenciam uns dos outros dentro do mesmo espaço social. Esses micro-grupos colhem na cultura padrão e global da sociedade fragmentos elementares que são mais adequados à sua cosmovisão e a partir daí criam todo um critério de valores, comportamentos, práticas e sistema de símbolos que se condensam numa “identidade”. É o que Levi Strauss em sua doutrina social define como Bricolagem: uma reorganização das peças do jogo utilizando-se de peças pré-existentes no meio social. Por exemplo, diante da situação deplorável que as pessoas atravessam nos subúrbios das grandes cidades contando apenas com um auxílio deficiente por parte das autoridades competentes, a subcultura punk colhe nessa situação elementos para compôr suas letras de protesto e propagar seus ideias de uma sociedade livre do poder governamental: a anarquia.O conceito de subcultura (urbana) surgiu em fins de Segunda Guerra Mundial quando a Europa assistia a uma crescente onda de manisfestações culturais voltadas para uma nova condição que a juventude atravessava e se consolidou com Dick Hebdige e a publicação de sua obra Subculture, the meaning of style de 1979. Geralmente marcada pela insatisfação voltada para uma sociedade ufanista com seus conceitos massivos de consumo, essa juventude buscou catalisar seus desejos através de um estilo de vida alternativo criando trejeitos peculiares de comportamento e atitude. Foi nessa época que surgiram algumas subculturas como Punks, Mods, Beats, Hippies, Rockers, Góticos, entre outras.

Insatisfação e irreverência da juventude proletária: as bases do punk.

Insatisfação e irreverência: as bases do punk

Insatisfação e irreverência: as bases do punk

Não há hoje como não reconhecer que o punk, ao menos em termos musicais e estéticos , foi responsável pelo surgimento da subcultura gótica, sendo esta uma derivação daquele, mas com algumas redefinições de valores. Vamos agora conhecer um pouco da origem de tudo isso. Na década de 70, três músicos completamente insatisfeitos com o direcionameto que a cultura pop estava tomando, cada vez mais superficializada pela sofisticação da tecnologia emergente, resolveram seguir na contra-mão. Patti Smith e Tom Verlaine do Television e Richard Hell, do Voidoisds, criadores da blank generation (geração oca) em Nova Iorque, fundaram o movimento minimal, uma vertente cultural que exigia o mínimo possível do artista e resgatava letras de cunho existenciais que perpassavam uma sociedade que vivia as tensões do pós-guerra; tudo isso ritmado por um rock básico e sem frescuras tecnológicas. Estava lançado o alicerce para o que viria a ser conhecido posteriormente como movimento punk, idealizado por Malcolm McLaren e prenunciado ainda em 1972 pelo filme Laranja Mecânica de Stanley Kubrick, que mostra um mundo futurista extremamente violento onde gangues, usando um visual desarticulado e ouvindo um som incoerente (música erudita com sintetizadores), dominam as ruas. Estando desanimado com o fracasso de seu grupo proto-punk New York Dolls, Malcolm MacLaren retorna para Londres acreditando ser possível a criação de um movimento contra-cultural. Lá, ele monta uma grife e resolve criar um grupo musical que serviria de base para a divulgação de seu negócio. O nome do grupo? Sex Pistols. Quatro jovens que não entendiam absolutamente nada de instrumentos musicais e muito menos de música (para se ter uma ideia, Sid Vicius nem mesmo sabia como pegar no baixo). Mas nada que o movimento minimal não desse um jeitinho e em pouco tempo o grupo montou uma música composta basicamente por três ou quatro acordes no máximo que dava sonoridade a um ritmo novo que se tornou a panacéia entre a juventude proletária da Inglaterra. E o punk-rock ganhou as ruas de Londres.
Não é minha intenção aqui estender-me em detalhes quanto ao movimento punk, uma vez que o tomo apenas como fulcro para chegar ao filho obscuro que ele viria a gerar, mas sinto-me tentado a fazer alguns esclarecimentos. O leitor pode acreditar que os Sex Pistols foram os responsáveis por toda a revolução musical ocorrida na Inglaterra nesse período da história da música, mas a verdade é que Malcolm Maclaren, enquanto empresário, aproveitou a conjuntura vigente proporcionada pelo minimal e produziu todo um marketing em torno do punk. É isso mesmo, para os que acreditam que o punk já nasceu cheirando a subversão, enganam-se, ele foi meticulosamente forjado para ser assim, pois tal estilo surgiu numa época em que a Inglaterra atravessava uma de suas piores crises de desemprego, contribuindo para o inconformismo da juventude proletária sequiosa de “algo” que a libertasse do tédio. Malcolm MacLaren absorveu essa realidade e a converteu, pela música, em novos valores juvenis de rebeldia.
Em 1976 quando o punk-rock sugiu, sua veia revolucionária se manifestou mais pelas roupas carregadas, atitudes agressivas e comportamento dos jovens proletários do que pelas suas ideias anarquistas. Os punks dessa época criaram um lema que viria servir de base para o movimento: do it yourself (faça você mesmo), que expressava o desejo de independência dessa juventude em relação ao sistema. Apesar das bandas punks alcançarem um certo popularismo ganhando até mesmo as capas de algumas revistas, suas músicas ficavam restritas apenas aos guetos londrinos; as grandes gravadoras absorviam o mínimo do novo movimento contra-cultural, desfavorecendo assim, o seu crescimento. A partir do “faça você mesmo”, gangues e associados ao movimento, começaram a formar suas próprias bandas e a editar fanzines que serviam de veículo de divulgação das bandas emergentes. Surgiram também as primeiras gravadoras independentes que passaram a registrar a música dos grupos e divulgá-la com maior solidez.

Da rebeldia punk à estética do obscuro

Em 1977 o punk atravessa um certo declínio por ser considerado um sinônimo de má-reputação e vandalismo e a imprensa mundial começa a tratá-lo apenas como New Wave (Nova onda). É nesse período que a indústria cultural começa, ironicamente, a absorver toda a expressão e rebeldia do punk assossiando a eles novos valores musicais como The Police, Gary Numan, Ultra Vox, The Pretenders etc.; nos EUA surgem bandas como Talking Heads, Blondie, B 52’s, entre outras.

 

New Wave: termo tão diverso e de difícil delimitação

New Wave: termo tão diverso e de difícil delimitação

New wave é termo tão diverso e de difícil delimitação, que a indústria cultural buscou rótulos para melhor defini-lo, uma vez que as bandas desse novo segmento adotavam modalidades variadas e resgatavam posturas e linguagens das décadas anteriores. É possível perceber na música de algumas delas uma sonoridade mais soturna e um visual de palco mesclando algo do punk com elementos mais sofisticados e até mesmo glamurosos dando forma a uma estética híbrida como diferencial. Um bom exemplo disso é a banda The Damned, que inicialmente tinha uma sonoridade punk bem original e posteriormente, junto com outras bandas do gênero, entrou no jogo comercial das gravadoras adotando nova postura, sendo considerada junto com as demais a primeira banda traidora do movimento.
Mas esse deslocamento para uma postura e estética musical obscuras já se verificava bem antes, ainda em 1976 e bem depois, em 1978, com bandas como Joy Division e Bauhaus respectivamente. A primeira foi a precursora em inserir elementos eletrônicos em sua música mesclados a arranjos densos com temáticas voltadas para a depressão e a existência humana caótica, sendo até hoje considareda a pioneira do new wave na primeira metade da década de oitenta. De fato, o Joy Division sempre transitou numa sonoridade punk-new wave. Numa época de descontentamento com a cena musical pós-punk e a tensão politico-social da guerra-fria e constante crise econômica que eclipsava qualquer esperança no futuro, configurou-se nesse período uma visão neo-romântica de mundo que resgatava alguns valores e elementos de épocas passadas como o romantismo da Idade Média associado ao Cinema Expressionista de décadas passadas que trazia produções como Nosferatu, Drácula, O Gabinete do doutor Caligari etc. O visual estético-despreocupado do punk foi dando espaço, como já mencionado, a um visual mais composto que expressava essa nova visão neo-romântica como fuga a ausência de novas e reais conquistas sociais.

 

Bauhaus: estilo minimalista, guitarras reverberadas e um visual híbrido puxando para o dark

Bauhaus: estilo minimalista, guitarras reverberadas e um visual híbrido puxando para o dark

Foi nesse contexto que surgiu uma banda que, aproveitando elementos do movimento pós-punk, criou uma nova sonoridade marcante permeada de arranjos soturnos. Era o Bauhaus. Com um estilo minimalista, guitarras reverberadas e um visual híbrido puxando para o dark, a banda a princípio objetivava satirizar o Expressionismo levando para o palco uma forma de encenação teatral com músicas que abordavam o terror dos filmes expressionistas. Sua composição Bela Lugosi’s Dead fez com que o Bauhaus com toda razão fosse conclamado pelos fãs a primeira banda genuína de rock-gótico, mesmo a contra-gosto do vocalista Peter Murphy que nunca aceitou tal rótulo.
O termo gótico é muito abrangente e está profundamente inserido em vasto contexto histórico. No período renascentista gótico era termo pejorativo para se referir aos povos de outas culturas, como os Godos, e toda arte produzida por eles. No século XVIII, o gótico passou a ser sinônimo de literatura de horror com a obra o Castelo de Otranto (1764) de Horace Walpole, romancista que inaugurou o chamado romance gótico. No final desse período, quando essa literatura alcança o seu auge, são consagrados também autores como Ann Radcliffe e Mathew Lewis. No século XX, a literatura clássica de horror do século XVIII é absorvida pelo já citado Cinema Expressionista alemão, que além de Nosferatu, cria um dos seus melhores clássicos, o também já citado O Gabinete do doutor Caligari. Toda essa estética sombria e mórbida da literatura de horror clássica, também chamada literatura negra ou gótica, explorada por bandas do cenário pós-punk, como o Bauhaus, culminou na chamada música gótica.
Muito bem. Em fins de década de 70, surge um novo segmento musical inspirado no som eletrônico da banda alemã Kraftwerk, o New Romantic, que deu origem na Inglaterra ao Technopop, que teve como precursores as bandas inglesas Ultravox, Human League e Tubeway Army, que fizeram o casamento entre os dois estilos. Mas é na década seguinte que surgirá o grande icone do New Romantic Technopop, o A flock of Seagulls. A partir daí, todo um segmento de estilos musicais foram se fundindo levando a subcultura gótica, ao absorvê-los, a se tornar um verdadeiro leque de estilos musicais e estéticos, talvez nem tão definidos. Atualmente já existe dentro dessa subcultura até mesmo o eletrogothic, com bandas que mesmo usando guitarras, baixos e baterias, possuem uma forte base eletrônica.

 

Das Ich - banda alemã de electro-goth e darkware

Das Ich - banda alemã de electro-goth e darkware

Como vimos, a subcultura gótica constitui um fascinante conjunto cultural que ganha força em segmentos artísticos particulares presentes na arquitetura, literatura e na música contemporânea, sobrevivendo também da socialização de seus adeptos.

 

Bibliografia
– BRANDÃO, Antonio Carlos; DUARTE, Milton Fernandes. Movimentos culturais de
juventude. 12 ed: Editora Moderna, 1990.
– KIPPER, H. A. A happy house in a black planet: introdução à subcultura gótica. 2008,
ed. do autor, 126 pgs.
– SCHAEFER, Richard T. Sociologia. 6 ed, McGraw-Hill, São Paulo, 2006.