Archive for the Literatura Category

Lemuria

Posted in Cultura, Divagando, Filosofando, Literatura, Poesias on julho 25, 2012 by sinistrum

Imagem

No oceano, profundamente abaixo
Sob as bravas ondas, envolvidas nas memórias você encontrará.
Navios destruídos, todos foram desencaminhados.
Capitão, você encontrou
A terra de Mu, o Eldorado para os marinheiros?
Ou você afundou-se nos sonhos
E perdeu seus navios na sinfonia das sereias?

Quando o marinheiro velejar para longe
Ele mostrará que o sonho de Lemuria é real
Uma terra perdida que ele encontrará novamente
Ouça o chamado da canção das anemonas nas profundezas
Você ousa entrar no navio?
Ouça o chamado de baixo,de um mundo subaquático
A terra de Mu é perto das estrelas
E nos braços do mar você viverá hipnotizado.

Chamado de Narayana,o sete-cabeças adormecido
Em Lemuria,levante-se!
Therion-Lemuria

Anima

Posted in Cultura, Literatura, Poesias on fevereiro 12, 2011 by sinistrum
A mulher que sou não se pode ver no espelho,
Meus seios são tão pequenos e minha voz é tão grave.
A mulher que sou é incapaz (ela não pode) de se apaixonar.
Eu gostaria de cortar as minhas genitálias e alimentar os cães com elas.
A mulher que sou é preparada para sentir dor.
As agulhas devem cortar apenas os restos feios.
Eliminação é impossível, devo deixar isso,
o meu eu é feminino, como eu sempre pude duvidar..

+++ Sopor Aeternus — Composição de Anna-Varney +++

A literatura fantástica de Howard Phillips Lovecraft

Posted in Cultura, Literatura on janeiro 23, 2011 by sinistrum

A emoção mais forte e antiga do homem é o medo, e a forma mais forte e antiga de medo é o medo do desconhecido…”

H. P. Lovecraft

Providence é a capital e também a maior cidade do Estado norte-americano de Rhode Island, na Nova Inglaterra. Foi fundada em 1636 por Roger Williams, um teólogo batista inglês que se destacou pela sua tolerância religiosa, defesa na separação entre Igreja e Estado e nas relações justas com os nativos americanos. Em 1644 Roger recebeu uma carta real consentindo a criação da colônia de Rhode Island e da cidade de Providence a fim de acolher as minorias religiosas. É creditado a ele a fundação da Primeira Igreja Batista da América.

Inicialmente Providence possuía uma economia de subsistência tipicamente agrária que mal dava para manter sua população. As casas eram rústicas em tamanho e detalhes. Foi somente no século XVII que a cidade iniciou suas atividades de navegação mudando o panorama econômico consideravelmente; mas foi em fins de século XVIII e início de XIX, que Providence encontrou seu apogeu econômico com os primeiros comerciantes que passaram a estabelecer relações comerciais com a China. Somou-se também à economia da cidade a mecanização de têxteis, patrocinada por recursos próprios, e que alavancou ainda mais o seu desenvolvimento ganhando, inclusive, seus primeiros patrimônios públicos como escolas, igrejas e a famosa Universidade de Brown, antigo College of Rhode Island, fundado em 1764 e posteriormente deslocando sua localização para College Hill no ano de 1770, onde recebeu o nome que perdura até hoje. Por essa instituição passaram nomes como John Fritzgerald Kennedy Júnior, que ingressou em suas dependências em 1978 a 1983.

Cidade de ricas tradições históricas que vão das antigas casas coloniais conhecidas como clapboards (casas construídas em madeira) às modernas construções peculiares que mesclam-se aos panoramas arquitetônicos de outrora. Foi nesse cenário denso de riquíssima memória cultural que Winfield Scott Lovecraft, um negociante de joias e outros metais preciosos, e Sarah Susan Phillips, doméstica e professora de piano que descende de uma notória raiz colonial, tiveram seu único filho: Howard Phillips Lovecraft.

Providence nos dias atuais

Nascido a 20 de agosto de 1890, Lovecraft era um menino prodígio que aos dois anos já recitava poesias e aos seis escrevia poemas de autoria própria. Aos onze anos publicava e entregava de porta em porta jornais científicos intitulados The Scientific Gazette e The Rhode Island Journal of Astronomy. Sempre teve um espírito inclinado para filosofia e ciência. Escreveu muita coisa durante sua juventude, porém, não aproveitou quase nada. Aos quinze anos escreveu seu primeiro conto, The Little Glass Bottle. Teve sua potencial capacidade frustrada quando lhe disseram ao fim da adolescência não ter talento algum, ficando alguns anos sem escrever e retornando mais tarde com a publicação de The Transition of Juan Romero, na revista Weird Tales, uma pulp-magazine muito em voga na época onde Lovecraft mais publicou. Teve uma vida simples do ponto de vista econômico e pessoal, morou sua vida praticamente toda com a mãe e duas tias muito queridas. Lovecraft era acometido de uma estranha e rara doença chamada poiquilotermia, que se caracteriza pela pele sempre álgida ao toque. Sua saúde precária e as crises nervosas nunca o permitiu frequentar a escola por longos períodos, fazendo isso apenas de forma esporádica; contudo, era menino muito dado a leitura. Seu avô, Whipple Van Buren Phillips, percebendo a atração do neto pelas letras, sempre o incentivou à leitura presenteando-lhe com versões infantis da Iliáda e da Odisseia de Homero e o iniciou na literatura de terror gótico.

Roger Williams, fundador do Estado de Rhode Island e da cidade de Providence

As intempéries também vieram cedo demais para o jovem menino. Quando contava com apenas três anos, seu pai teve uma crise nervosa que o deixou com profundas sequelas e o levou pelo resto de sua vida para dentro de clínicas de repouso. Foi a partir daí que o jovem Lovecraft passou a ser criado apenas pela mãe, as tias e o avô; este, veio a falecer em 1904, e com a incapacidade das filhas em gerenciar os bens deixado pelo pai a família entrou em estado de pobreza mudando-se para uma casa menor. Em 1908 Lovecraft também foi acometido de um colapso nervoso que o impossibilitou de receber seu certificado de conclusão do Ensino Médio, distanciando-o do ingresso em uma universidade. Esse fato, considerado como um grande fracasso em sua vida, o marcaria para sempre. Em 1921 sua mãe faleceu vítima de uma complicação cirúrgica.

Em 1917 Lovecraft tornou-se definitivamente um leitor assíduo de estórias de terror, terreno que já havia sido cultivado pelo seu avô tempos atrás, e no mesmo ano escreveu e publicou seu primeiro conto profissional, Dagon, na revista Weird Tales.

Trabalhou como jornalista por um tempo quando conheceu Sonia Greene, uma judia natural da Ucrânia e oito anos mais velha com quem viria casar-se, fato esse um tanto estranho para um homem que possuía certa “xenofobia” por tudo que não tivesse descendência anglo-saxônica. A relação rendeu protestos por parte das tias, mas sua consumação foi inevitável. Morou por curtos dois anos com sua esposa em Nova Iorque, no bairro do Brooklyn, lugar que ele nunca se adaptou. O casamento também não duraria muito e após cinco anos e uma separação amistosa, Lovecraft retorna para Providence onde passa a morar novamente com as tias Lillian Clark e Annie Gamwell.

O período pós-matrimônio foi o mais prolífero e também o que marcou o começo de suas correspondências com outros escritores estreantes de terror-ficção. Entre esses correspondentes o mais ávido era Robert E. Howard, criador do personagem Conan, o bárbaro, e que viria suicidar-se tempos depois. Robert e Lovecraft tinham marcas de personalidade muito próximas, ambos nutriam as mesmas idiossincrasias: a solidão e o desejo de superação das limitações humanas. O que o primeiro conseguiu com a criação de um bárbaro poderoso e invencível, o segundo conseguiu pela criação de monstruosidades extraterrestres e cenários surreais que desafiam a imaginação dos leitores. As obras mais extensas de Lovecraft como Nas montanhas da loucura e O caso de Charles Dexter Ward datam desse período.

Por ser ateu, pode parecer um tanto estranho e incompreensivo tentar entender como alguém sem crenças em coisas fora de nossa esfera existencial poderia criar estórias de teor tão místico com apelos a crenças ancestrais. A resposta para isso pode estar nas próprias palavras de Lovecraft que se encontram em seu ensaio O horror sobrenatural na literatura: “a emoção mais forte e antiga do homem é medo, e a forma mais forte e antiga de medo é o medo do desconhecido. Poucos psicólogos contestarão esses fatos, e a sua verdade admitida deve firmar para sempre a autenticidade e dignidade das narrações fantásticas de horror como forma literária.” Como se ver, Lovecraft podia até não ser um crédulo convencional, mas utilizava crenças em coisas inexplicáveis simplesmente como substrato para suas estórias; ou seu ateísmo não era tão sistemático assim. Quando sua parca condição financeira lhe permitia, tinha como hobby viajar para descobrir vestígios sobre o mundo antigo e as histórias e lendas que o cercam, sem dúvida, importantes peças de construção para seus contos.

Lovecraft era dono de uma produção extemporânea, muito avançada para a sua época; além disso, com o amadurecimento de seu estilo, o requinte e o aumento no número de palavras de seus contos, crescia a resistência por parte das editoras. Necessitado financeiramente, atravessou o dilema que cerca praticamente todos os artistas: manter-se fiel a sua produção ficcional, ou vender-se a uma produção tosca e barata. Sem saída, passou a escrever estórias encomendadas por outros autores consagrados seguindo as ideias que eles sugeriam. Esse tipo de produção era conhecida como ghost-writing e Lovecraft teve como principal cliente Harry Houdine, mais conhecido no meio circense como o grande Houdine. No entanto, sua literatura chamou a atenção de um outro grupo de escritores adeptos de estórias de ficção, alguns deles já bastante consagrados; um grupo restrito, mas fiel e que trocavam muitas ideias por correspondência e impeliam Lovecraft a continuar escrevendo. Foi a partir desse grupo que surgiu o chamado Lovecraft Circle (Círculo Lovecraft), que falarei mais adiante.

Os mitos de Cthulhu e o Círculo Lovecraft

Lovecraft e sua ex-esposa Sonia Greene

Lovecraft escreveu cerca de 65 contos curtos e 3 de grande extensão, sendo por isso considerados romances, um deles incompleto. Suas estórias seguem um padrão que “quase sempre” se repete no enredo: começam com um narrador dando a conhecer ao leitor sobre um fato tão grotescamente terrível que sua exposição pode, inclusive, custar a sanidade até mesmo da mente mais racional. Como sendo instado pelo próprio leitor, o narrador abre mão de seu silêncio e resolve contar em detalhes persuasivos sobre o tal fato. Aqui encontramos todos os traços do verdadeiro talento de Lovecraft: sua esmerada capacidade narrativa que remete o leitor a cenários imaginários e intrigantes prendendo-o de tal forma nas tramas das letras e impelindo-o a devorar toda a leitura de forma ininterrupta. Essa capacidade natural em narrar o inenarrável fez com que Lovecraft recebesse merecidamente a alcunha de “Mestre do indizível”.

Até enfim eu também não via nada além de loucura nas histórias fantásticas de que tinha tomado parte. Mesmo agora me pergunto se estava enganado – ou se não estou mesmo louco, afinal não sei – mas outras pessoas tem coisas estanhas a dizer sobre Edward e Asenath Derby e nem mesmo a estúpida polícia sabe mais o que fazer para explicar aquela última e terrível visita. Os policiais tentaram montar uma frágil teoria envolvendo um aviso ou uma brincadeira de mau gosto por criados demitidos, embora saibam, no íntimo, que a verdade é infinitamente mais terrível e inacreditável. Eu digo, pois, que não assassinei Edward Derby, antes o vinguei, e assim expurguei da Terra um horror cuja consciência poderia ter espalhado terrores inauditos sobre toda a humanidade. Existem zonas negras de sombra próximas de nossos caminhos cotidianos e, de vez em quando, algum espírito maligno abre uma passagem entre eles. Quando isso acontece, a pessoa informada deve agir sem pesar as consequências. Trecho do conto A coisa na soleira da porta.

Universidade de Brown. Antigo College of Rhode Island e cenário de alguns contos de Lovecraft.

Nenhuma produção desse autor, porém, foi tão significativa quanto a fase em que ele criou o seu Cthulhu, uma estranha criatura híbrida metade cefalópode, metade homem e metade dragão, que tem raízes em estranhos sonhos, ou pesadelos, que Lovecraft costumava ter nas noites de sua infância; sonhos tão vívidos que o acordavam apavorado, com batimentos acelerados e grande transpiração. Esses pesadelos do autor foram até mesmo retratados em forma de quadrinhos pela Vertigo.

Em O chamado de Cthulhu (1926) Lovecraft nos apresenta uma estória elaborada envolvendo antigas ordens secretas, ritos orgíacos e um culto sombrio a estranhas criaturas ancestrais conhecidas como The Great Ones (Os grandes Antigos); monstruosos seres marinhos de origem extraterrestre que teriam vivido na Terra muito antes dela adquirir algum tipo de consciência ou do primeiro ser humano nela colocar os pés. Segundo o conto, o universo teria sido uma criação dos Grandes Antigos, inclusive o próprio homem, criado como um mero instrumento de servidão, sendo tais seres completamente indiferentes à sua criação. Esses relatos foram suficientes para que Lovecraft fosse declarado blasfemo pelos cristãos mais radicais.

Em dado momento histórico, a colossal cidade ciclópica conhecida como R’lyeh, onde reside tais criaturas, submergiu nas gigantescas águas do oceano Atlântico, mas um encantamento lançado pelo grande sacerdote Cthulhu mantem a cidade protegida com os demais Great Ones, aguardando o dia em que as estrelas se alinharão no universo despertando-os de seu sono e fazendo a grande cidade emergir novamente para que os Grandes Antigos possam governar outra vez. Até esse dia chegar, um culto foi estabelecido desde os primórdios dos tempos. Quando o primeiro homem veio, Cthulhu manteve contato com ele por sonhos e legou-lhe os ritos necessários de preparação para sua chegada. Esses contatos oníricos foram mantidos com muitos outros, século após século, milênio após milênio, garantindo que a memória dos Antigos jamais se perdesse. Despertos, os Grandes Antigos infligiriam o caos sobre a Terra, levando a humanidade a uma vivência ébria da realidade.

A estória gira em torno de H. A. Wilcox, um jovem artista plástico que após ter estranhos pesadelos com uma megalônica cidade ciclópica, esculpe na argila a horrenda figura de uma criatura híbrida que ele alega persegui-lo em seus sonhos; a essa arte insólita, ele acrescenta alguns dizeres em caracteres mortos retirados das monumentais paredes da esquisita cidade toda construída com erros de perspectiva. Wilcox faz uma visita a George Gamell Angell, emérito professor de línguas da Universidade de Brown, na expectativa de descobrir alguma coisa sobre a estranha arte que ele concretizara na argila, e fica surpreso com o interesse repentino do professor ao ouvir as inauditas palavras Cthulhu. Com a morte do professor Angell em circunstâncias suspeitas, seus pertences ficam sob a guarda de seu sobrinho-neto que faz uma descoberta perturbadora dentro de um baú contendo uma vasta coleção de artigos de jornais e um manuscrito intitulado CULTO DE CTHULHU. A ambição que é gerada em seu ser, superando até mesmo seu racionalismo metódico, leva-o a uma intrincada investigação que ganha desdobramentos instigantes e um final surpreendente.

Para o leitor atento e conhecedor do mínimo sobre a biografia de Lovecraft, perceberá em Wilcox e seus sonhos, o reflexo claro do autor. De fato, era mesmo Lovecraft que tinha todos esses sonhos, como já mencionado, e os condensou em suas estórias de ficção o que dá a elas uma nota subconsciente e simbólica.

Cemitério de Swan Point em Providence

Cthulhu surge ainda em outros contos, sendo mencionado de forma indireta por meio de referências como inscrições e desenhos rupestres como Nas montanhas da loucura de 1931. O próprio Dagon, que não é uma criação de Lovecraft, sendo uma divindade do panteão filisteu, foi identificado pelo autor como sendo esse ser pertencente aos Grandes Antigos. É importante dizer que a semelhança dada a esses seres com divindades fez com que August Derleth, um dos poucos escritores admiradores de Lovecraft, identificasse nesse conjunto específico da obra do autor a analogia de um panteão de seres designando-o de Mythos of Cthulhu (Mitos de Cthulhu). Derleth, junto com outros escritores fans das obras de Lovecraft como Clark Ashton Smith, Robert E. Howard, Frank Belknap e Robert Bloch, incluindo o próprio Lovecraft, passaram a se corresponder em trocas de ideias muito prolíferas a fim de dar continuidade a esses mitos por meio de contos escritos por todos os autores, estava formado o Círculo Lovecraft.

Túmulo de Lovecraft com a lápide definitiva em homenagem ao autor

A saúde precária, no entanto, veio a golpear esse talentoso autor definitivamente. Em 1937 as dores sempre crescentes originárias de um câncer no intestino, levou Lovecraft a se internar no Hospital Memorial Jane Brown no dia 10 de março daquele ano, vindo a falecer cinco dias depois, prematuramente, aos 46 anos. Em vida, Lovecraft nunca viu seus contos publicados em um livro de capa dura, verdadeiro troféu de reconhecimento para qualquer escritor naquela época. Morreu acreditando ser ele um completo fracasso.

Em 1940, após sua morte (isso nunca muda!) August Derleth e Donald Wandrei, fundaram a editora Arkhan, nome inspirado em uma cidade universitária fictícia criada por Lovecraft, e iniciaram as primeiras publicações em livro de bolso dos contos do autor. O filão descoberto mostrou ser muito promissor e até hoje essa editora é responsável pela publicação de antologias desse escritor.

Howard Phillips Lovecraft foi enterrado no dia 18 de março de 1937, no cemitério Swan Point, em Providence, no jazigo da família Phillips. Seu túmulo é o mais visitado do local, mas passaram-se décadas sem que ele fosse demarcado de forma exclusiva. No centenário de seu nascimento, fãs norte-americanos cotizaram-se para inaugurar uma lápide definitiva, que exibe a frase “Eu sou Providence”, extraída de uma de suas cartas.

A importância de Lovecraft no cenário atual

O escritor Colin Wilson, em seu ensaio sobre Lovecraft no livro de biografias Science Fiction Writers, afirma que a importância dos escritos desse autor está mais em sua carga simbólica do que nas obras em si mesmas. É notório, no entanto, a vasta influência de Lovevecraft entre escritores contemporâneos afamados como o argentino Jorge Luís Borges, que inclusive dedicou uma obra a ele intitulada There are More Things; trata-se de uma estória de terror onde se observa claros elementos lovecraftianos. Outro escritor influenciado por Lovecraft é o italiano Ítalo Calvino, com suas descrições das cidades imaginárias visitadas por Marcos Polo. E não podemos esquecer do mestre do terror contemporâneo Stephen King, que se declarou um seguidor de Lovecraft e cuja inclinação para o fantástico é visivelmente verificada em obras como A tempestade do século; A espera de um milagre e tantas outras.

O chamado de Cthulhu de 1920

Dagon de 2001, o filme possui uma ótima produção apesar de apenas espelhar-se no conto de mesmo título

O cinema de vez em quando faz alguma adaptação das estórias de Lovecraft. Em 1920 foi feita uma excelente produção toda baseada fielmente no conto O chamado de Cthulhu. Está tudo lá: Wilcox e seus pesadelos, a obsessão de George Gamell Angell pelo Culto a Cthulhu que fora transmitida posteriormente para seu sobrinho-neto e todos os desdobramentos da obra que culminam com o reaparecimento do pesadelo vivo emergido com a antes submergida R’lyeh; além de atores de uma interpretação impecável se considerarmos que o filme é uma produção muda toda executada nos moldes do Cinema Expressionista Alemão. Nas décadas de 50 e 60 o filme Reanimator foi adaptado dos contos “The Strange Case of Charles Dexter Ward” e “Herbert West e foi feita uma produção intitulada “At the Mouth of Madness”. Em 2001 o filme Dagon foi baseado no conto de título homônimo (e apenas isso, já que a produção não possui relação alguma com o conto em si). Em 2005 uma outra produção ganha as telas também inspirada em O chamado de Cthulhu e sendo intitulada simplesmente Cthulhu.

A música também absorveu a genialidade de Lovecraft. O segundo álbum do Metallica, High The Lightning, é encerrado com uma faixa instrumental intitulada The Call of Cthulhu. A dupla que compõe temas instrumentais de dark ambiental obscuro, Nox Arcana, gravou um trabalho conceitual intitulado Necronomicon, todo embasado nas obras de Lovecraft.

É inegável o legado deixado por esse contista, poeta e ensaísta para as gerações que lhe sucederam. Essa sim, é a verdadeira importância de Lovecraft para a cultura mundial. Se ao menos uma centelha de energia mental produzida pela empolgação de seus leitores ao ler sua obra varasse “alguma coisa” no tempo e espaço e chegasse até ele, onde quer que esteja, isso seria suficiente para erradicar sua falsa impressão de um suposto fracasso pessoal, pois, o verdadeiro talento é eterno.